Ensaio de continuidade de aterramento - Portaria INMETRO 371 - Equipamentos eletrodomésticos

Nessa página você irá encontrar informações sobre o ensaio de continuidade de aterramento segundo as orientações da portaria do INMETRO Nº 371 de 29 de dezembro de 2009.

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Os exemplos de ensaio são feitos supondo que o equipamento de ensaio usado é o GBT2600M fabricado pela Entran. Para mais informações sobre esse equipamento, acesse o site do fabricante no link abaixo.

http://equipamentos.entran.com.br/gbt2600m-ensaio-de-resistencia-de-aterramento/

Sumário

Portaria INMETRO 371
Continuidade de aterramento
Ensaio segundo a portaria 371
Exemplo de ensaio - Torradeira elétrica

Portaria INMETRO 371

Devido a acidentes ocorridos com aparelhos eletrodomésticos e vários resultados negativos em análises desses aparelhos o INMETRO formulou o Programa de Avaliação da Conformidade de Aparelhos Eletrodomésticos e Similares, que define vários requisitos de segurança para equipamentos eletrodomésticos que devem ser seguidos de forma compulsória pelos seus fabricantes. Os critérios desse programa estão estabelecidos na portaria 371/2009. Esse documento está acessível no link abaixo.

http://www.inmetro.gov.br/rtac/pdf/RTAC001519.pdf

A base da avaliação de segurança é a norma ABNT NBR NM 60335-1 em conjunto com as suas normas particulares. Essa norma deve ser seguida pelo fabricante no projeto do seu produto para garantir a segurança na utilização do mesmo em relação aos riscos elétricos, mecânicos, térmicos, de fogo e radiação dos aparelhos.

Além de impor a conformidade com a norma ABNT NBR NM 60335-1, a portaria 371 exige que sejam feitos ensaios de rotina nos aparelhos fabricados. Esses ensaios são feitos pelo fabricante em 100% das unidades fabricadas, como mostra o trecho abaixo retirado da portaria.

6.1.2.3 Ensaios de Rotina
6.1.2.3.1 Os ensaios de rotina para controle da qualidade do produto são de responsabilidade do fabricante e devem ser realizados em 100% da produção, no produto completo. Devem ser realizados, pelo menos, os ensaios descritos no Anexo B deste RAC.
6.1.2.3.2 Registros destes ensaios deverão ser mantidos para verificação do OCP no processo de Auditoria Inicial e nas Auditorias de Manutenção.

O Anexo B define três ensaios de rotina: Ensaio de continuidade de aterramento, Ensaio de tensão suportável e Ensaio funcional. Esse documento trata apenas do ensaio de continuidade de aterramento, chamado também de teste de resistência de aterramento (ground bond testing, em inglês). Antes de explicar como é feito o ensaio, primeiramente explicaremos o conceito de continuidade de aterramento.


Continuidade de aterramento

O aterramento é um recurso usado em instalações elétricas e equipamentos elétricos para proteção contra acidentes.

O sistema de aterramento de uma rede elétrica consiste em um condutor ligado a uma rede de aterramento a qual fica no solo. O potencial elétrico desse condutor é o potencial do terra, que é normalmente considerado 0V. A maioria das coisas (inclusive as pessoas) normalmente estão sob esse potencial ou muito próximo dele, portanto não devemos levar um choque se tocarmos no condutor de aterramento.

Quando ligamos um objeto à esse condutor de aterramento dizemos que o objeto está "aterrado" e dessa forma ele oferece riscos mínimos de causar choques elétricos se a rede de aterramento estiver bem feita. Os riscos são diminuídos pois, ao aterrar um objeto, forçamos ele a ficar no potencial do terra, ou 0V. Dessa forma, se outro objeto ou pessoa também no potencial do terra tocar esse objeto não haverá diferença de potência e portando não haverá corrente circulando, não haverá choque. Caso outro objeto carregado, fora do potencial do terra, tocar o objeto aterrado, a corrente irá fluir para o condutor de aterramento, que tem baixa impedância elétrica, e a carga não ficará acumulada, o que poderia causar uma descarga eletrostática posteriormente.

O aterramento de partes acessíveis de um equipamento é, então, uma forma de proteger o usuário do equipamento contra choques. Casa haja uma falha na isolação interna desse equipamento, o ateramento deve desviar a corrente de fuga resultante da falha para o condutor de aterramento evitando que ela passe pelo usuário.





Equipamento com aterramento: O condutor de aterramento devia para o terra a corrente proveniente de uma falha. Equipamento sem aterramento ou com aterramento não conforme: A corrente proveniente de uma falha é direcionada para o usuário.



Ensaio segundo a portaria 371

Abaixo temos o trecho da portaria 371 que define o procedimento de ensaio de rotina de continuidade de aterramento.

B.1 Ensaio de continuidade de aterramento

Uma corrente de ao menos 10 A, proveniente de uma fonte com uma tensão sem carga (em vazio) não excedendo 12 V (c.a. ou c.c.), é circulada entre cada uma das partes metálicas acessíveis aterradas e:
- o terminal de aterramento, no caso de aparelhos classe 0I e aparelhos classe I previstos a serem ligados permanentemente a fiação fixa;
- para outros aparelhos classe I,
++ o pino de aterramento ou contato de aterramento do plugue;
++ o pino de aterramento do dispositivo de entrada.

A queda de tensão é medida e a resistência é calculada não devendo exceder
- 0,2Ω para aparelhos com um cordão de alimentação, ou 0,1 mais a resistência do cordão de alimentação,
- 0,1Ω para outros aparelhos.

NOTA 1: O ensaio é somente realizado por uma duração necessária para permitir que a queda de tensão seja medida.

NOTA 2: Cuidados devem ser tomados para assegurar que a resistência de contato entre a ponta do dispositivo de medição e a parte metálica sob ensaio não influencie os resultados de ensaio.

No página de definições você pode encontrar o significado do termos: Aparelho de classe 0, Aparelho de classe 0I, Aparelho de classe I


Exemplo de ensaio - Torradeira elétrica

Esse exemplo mostra como fazer o ensaio de continuidade de aterramento em uma torradeira elétrica especificada para funcionamento em 127V AC com carcaça metálica aterrada.



O primeiro passo para definir o procedimento de teste é classificar o equipamento quanto à sua classe. Nesse caso, como a carcaça da torradeira é aterrada, ela é classificado como classe I.

O ensaio de continuidade de aterramento é feito sempre entre dois pontos. Segundo a portaria um desses pontos é o pino de aterramento do plugue de alimentação. O segundo ponto seria uma das partes metálicas acessíveis aterradas. Para cada parte metálica acessível aterrada deve ser feito um ensaio, mas no caso aqui apresentando, há somente uma parte que é o gabinete da torradeira. Portanto, há somente um ensaio. Se houvessem mais partes metálicas acessíveis aterradas deveriam ser feitos outros ensaios para cada uma delas, mas com exatamente o mesmo procedimento

A torradeira tem um cordão de alimentação não destacável. Segundo a norma, nesse caso o limite de resistência de aterramento é de 0,2Ω.

Agora resta programar o equipamento de teste que nesse exemplo é o GBT2600M da Entran.



Após ligar o GBT2600M o botão MENU deve ser pressionado para que a configurações sejam acessadas. A tabela abaixo mostra os valores que devem ser escolhidos para cada parâmetro. O equipamento deve ser configurados como é mostrado abaixo e essas configurações devem ser salvas.

Configuração Valor Observação
MAX RESIS 0.200 A portaria define como 0.200 o máximo de resistência de aterramento para aparelho com cordão de alimentação.
MAX CURRENT 15.0A A portaria exige um valor maior que 10A. Definimos 15A que é uma valor razoável.
MIN CURRENT 10.0A A portaria define o mínimo como sendo 10A.
TESTER TIMER 5s A portaria não especifica o tempo. Cinco segundos é um valor razoável.
BUZZER ON Essa escolha fica a cargo do operador.

Para iniciar o ensaio é necessário que os cabos do GBT2600M sejam posicionados nos pontos de ensaio que foram definidos anteriormente (pino de aterramento do plugue e carcaça metálica). A imagem abaixo ilustra o posicionamento correto.



Com os cabos posicionados corretamente, o usuário deve ajustar a corrente do ensaio para algum valor entre 10.0A e 15.0A (12.0A por exemplo) girando o botão CURRENT ADJUST do GBT2600M. A corrente de ensaio fica no canto inferior esquerdo da tela, como mostra a ilustração.



Quando a corrente ajustada adquirir algum valor entre 10.0A e 15.0A o LED verde do GBT2600M irá acender, o que significa que o ensaio pode ser iniciado. Nesse momento o botão RUN deve ser pressionado para que o ensaio seja realizado.



Após um cinco segundos o GBT2600M finalizará o ensaio e mostrará o resultado.





Mensagem para um ensaio aprovado. A corrente do teste (média entre máximo e mínimo configurado) é mostrada na linha inferior esquerda. Resistência de aterramento calculada durante o ensaio é mostrada na linha inferior direita. Mensagem para um ensaio reprovado. A corrente do teste (média entre máximo e mínimo configurado) é mostrada na linha inferior esquerda. Resistência de aterramento calculada durante o ensaio é mostrada na linha inferior direita.

Nesse momento o ensaio está finalizado. Se houvessem outras partes metálicas acessíveis elas também deveriam ser ensaiadas, mas nesse caso a carcaça inteira foi considerada como uma só parte, portanto o ensaio consiste em somente uma medida.


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